No nosso último encontro, naquela despedida dentro do elevador, minha pequena mochila nas costas simbolizava algo maior: eu estava indo embora da sua vida. Você me olhou com aqueles olhinhos puxados e castanhos, deu um sorriso amargo e de canto de boca, disse um se cuida que cortou mais do que navalhas. Naquele momento eu não sabia se essa era a decisão mais acertada. O tempo diria, e disse. •
Estávamos vivendo por viver, nossas companhias eram algo imposto e não mais com o prazer de antes. Eu tinha mudado, você tinha mudado, éramos dois estranhos vivendo um amor que já tinha o prazo de validade vencido. O cansaço nos venceu, e não há quem possa dizer que não era amor, pois era e a gente sabe, mas o cansaço passou por cima, e nossas mudanças também. Não tinha mais amor, porque eu era outra pessoa e você era outra pessoa. O amor era entre aquelas pessoas que nós éramos. •
Enquanto esperava meu Uber, olhei pra cima e te vi, atrás das cortinas, com olhos marejados e aparência de ter um piano nas costas. Acho que você viu que eu também levava outro piano nas minhas. O lado bom é que a gente aos poucos perderia esses pesos sob os ombros, a vida se encarregaria de tirar pouquinho por pouquinho desses pedaços de passado. Só quero que você saiba que ir embora nunca foi minha primeira opção, mas foi a única alternativa que você deu para meu coração, e acho que caminhar em outro caminho também foi a única possibilidade que eu te dei. Se cuida.
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