De repente já estou no fim dos 20 e
não tenho nada do que as pessoas costumam ter nessa idade. Tenho planos,
claro (todo mundo tem). Mas objetivamente estou sem nada aqui à minha
frente. O momento futuro é uma incógnita absoluta. Eu não posso pensar
‘não, daqui a um ano eu vou pro campo ou eu caso ou eu me formo ou eu
vou à Europa’. Eu não sei. Fico esperando que pinte alguma coisa,
naturalmente. E essa falta de ação me esmaga um pouco.
... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi o apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.
Comentários
Postar um comentário